Preços · Mercado voluntário

Quanto custa um crédito de carbono em 2026?

Atualizado em julho de 2026 · Leitura de 6 min

A resposta curta: entre US$ 1 e US$ 40 por tonelada de CO₂ equivalente (tCO₂e), dependendo do tipo de projeto. A resposta útil: essa faixa é tão larga que "preço do crédito de carbono" sozinho não significa nada — o que define o valor é a combinação de projeto, certificadora, safra e volume. Este guia explica cada fator para você pedir cotação sabendo o que está comparando.

Faixas de preço por tipo de projeto

No mercado voluntário, os preços praticados em 2026 se distribuem aproximadamente assim:

Tipo de projetoFaixa referencial (US$/tCO₂e)Perfil
Energia renovável1 – 4Entrada; grande oferta global
REDD+ (desmatamento evitado)4 – 12Maior liquidez no Brasil
Cookstoves (fogões eficientes)5 – 12Forte cobenefício social
Biogás / captura de metano6 – 15Impacto climático imediato
ARR (reflorestamento / remoção)15 – 40Premium; exigido por metas net-zero
Essas faixas são referências indicativas do mercado voluntário, não ofertas. Um mesmo tipo de projeto pode ser negociado fora da faixa dependendo dos fatores abaixo.

Os 6 fatores que mudam o preço

1. Tipo de projeto: evitar emissão vs. remover carbono

Créditos de emissão evitada (não desmatar, gerar energia limpa) custam menos que créditos de remoção (plantar floresta, capturar carbono). Empresas com metas net-zero formais pagam prêmio por remoções porque os principais padrões corporativos exigem remoções para a neutralização final.

2. Certificadora e registro

Créditos emitidos em registros reconhecidos — Verra (VCS), Gold Standard, Cercarbono — valem mais que créditos sem lastro verificável. Gold Standard costuma carregar prêmio pelos critérios socioambientais adicionais.

3. Safra (vintage)

O ano em que a redução ocorreu importa. Safras recentes valem mais; créditos antigos ainda não aposentados são negociados com desconto — e compradores criteriosos evitam safras muito antigas por risco de reputação.

4. Volume

Como em qualquer mercado, volume negocia preço. Uma compra de 10.000 tCO₂e consegue condições que uma compra de 100 tCO₂e não vê. Se sua demanda é recorrente (compensação anual), contratos plurianuais também melhoram a condição.

5. Cobenefícios e narrativa

Projetos com cobenefícios sociais mensuráveis (renda para comunidades, biodiversidade, água) sustentam preços maiores porque entregam mais do que carbono: entregam a história que a empresa vai contar no relatório e na comunicação.

6. Momento regulatório

Com a Lei 15.042/2024, o Brasil criou o SBCE — o mercado regulado de carbono. A regulamentação em curso em 2026 prevê a entrada gradual de 17 setores da economia. À medida que as obrigações se aproximam, a demanda tende a pressionar os preços do mercado voluntário brasileiro. Comprar antes da obrigação costuma ser mais barato que comprar durante ela.

Preço em reais: por que quase tudo é cotado em dólar

O mercado internacional de créditos opera em dólar, e a maior parte dos projetos brasileiros vende para compradores globais. Na prática, sua cotação virá em US$/tCO₂e com conversão no fechamento — o que significa que o câmbio também entra na conta do custo final em reais.

Cuidado com preço bom demais

Crédito muito abaixo da faixa do seu tipo de projeto é sinal de alerta, não de oportunidade. As causas mais comuns: safra antiga, registro fraco ou inexistente, ou crédito que já foi questionado publicamente. A economia de alguns dólares por tonelada não paga o dano de reputação de uma compensação contestada.

Checklist mínimo antes de fechar: registro reconhecido + número de série rastreável + comprovante de aposentadoria (retirement) em nome da sua empresa. Sem os três, não compre.

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